O GRANDE DESAFIO, MEU E DE TANTOS
Eu havia escrito “MEU PROJETO DE VIDA AOS 65 ANOS”, o que explodiu num sucesso que nem mesmo eu esperava. Interessante como naquele momento eu fora extremamente feliz na colocação das palavras que deveriam formar o texto, escolhido oração de cabeceira pelos mais vividos. Eu tivera o privilégio de criar, até sem perceber, um folheto de auto-ajuda para os dias que escrevem a última parte de nossas vidas,quando ultrapassamos os “ENTA”. Foi realmente fantástico perceber que seria possível traçar planos a essa altura da caminhada, sentindo a mesma força e anseios da juventude e a sabedoria de quem viveu muito armazenando histórias inacreditáveis. Movida por esse sentimento de “eu ainda posso”, tracei as metas para meu novo tempo. Claro...havia um por que!!!!!!!
Amando mais do que o coração podia esperar, ganhei um velho-novo companheiro. Meu primeiro namorado. Lá dos idos de mil novecentos e não sei quanto, (porque na realidade não lembro da data certa).Alguem que, assim como eu havia perdido o elo sentimental nas penas da vida , entregue à uma solidão de fazer dó.
Vivíamos nos encontrando, aqui e ali, nos bares e festas da vida a que éramos obrigados a participar na tentativa de jogarmos ao vento nossas mágoas e decepções escritas pelo destino ;ele viúvo, eu divorciada..Mas,quem diria !A camaradagem de sempre, transformou-se e, pouco a pouco nos aproximou de uma maneira diferente e, sem sentirmos, querermos ou planejarmos acordamos um dia ,um ao lado do outro.
Percebemos então que a chave das amarguras que nos trancava em ostras, havia aberto o caminho para a felicidade. Novos sonhos, novas esperanças, planos cuidadosamente traçados longe dos arroubos da juventude e, rápido como num click de computador; ( pois até mesmo nós, idosos jovens, rotulados incapazes, conseguimos nos familiarizar com esse monstro da informática, ), reescrevemos uma bela e perfeita história de amor: A NOSSA !
Foi quando resolvi criar ”MEU PROJETO DE VIDA AOS 65 ANOS, (aquele texto que citei inicialmente e que se tornou um sucesso).Talvez pela minha ousadia em acreditar que a felicidade seria eterna e que o tempo seria meu aliado retardando acontecimentos ,esticando os dias como se fossem pedaços de elásticos presos ao final da linha traçada pelo futuro de cada um de nós.
Mas, o tempo, impaciente e violento (às vezes), resolveu romper parte desse elástico roubando-me aquele que se tornara minha metade, meu amigo, companheiro, cúmplice, grande amor adulto e verdadeiro. Num instante, aquele meu projeto de vida morreu escoando pelo ralo tornando----se impraticável.. Afinal era para ser um projeto vivido a dois, jamais solitário.
Silenciei a voz, o coração, a alma. Escondi-me de todos e de mim mesma. Tranquei as portas e janelas para a vida; amigos sinceros, filhos, netos, costumes que juntos criamos, o gosto pela arte da escrita, da música, e resolvi deixar-me morrer. Afinal, como seria viver daquele dia em diante.......
Odiei passar pelos mesmos caminhos que juntos percorríamos, ou estar nos mesmos lugares onde tantas vezes estivemos ao lado de pessoas tão queridas, amigos de fé que, por hora, não desejo encontrar.
O inverno que chegou violento,machucou ainda mais e nem me emocionei com a expectativa de que logo viria a primavera que tanto amo e espero, perdida pela paixão que tenho pelo viço, perfume e colorido das flores.. Ainda sob o impacto recente da perda, entreguei-me a uma fraqueza profunda e, sem forças para acompanhar o ritmo dos dias, enclausurei-me em minha dor. .
Nada mais restou senão agarrar-me às lembranças e às saudades, ao desespero da perda, ao medo do inevitável “téte a téte com a morte que nos afronta impiedosamente e, roubou-me, sem a menor cerimônia, alguém de importância sem limites, assim como o ar, a chuva, o sol, o alimento, a água.
Essa “parada cardíaca”, essa ausência de força, essa coma induzida que fez com que eu me entregasse de corpo, mente e alma nas mãos do nada, da agonia e desesperança que me levou a colocar um ponto final em tudo, agiu em mim até que a própria natureza, sábia e perfeita me despertou cobrando VIDA. .
Foi quando me dei conta de que nós que fazemos parte desse mundo de contradições acostumados ao sabor das amarguras, e às delicias das alegrias; nós que vivenciamos as conquistas de uns e os fracassos de outros, as vitórias de alguns e derrotas de tantos; nós, que às vezes somos fortes e imbatíveis,outras frágeis e inseguros, nos vemos de repente obrigados a RECOMEÇAR :
alguma coisa, de alguma forma, no exato momento em que percebemos a noite já não tão mágica e brilhante de estrelas porém nebulosa , triste , pronta a abrir as portas para que o medo e a insônia entrem em nosso sono sem sonhos e nos façam companhia , transformando o amanhecer num grande vazio , ladrão de esperanças.
É quando na tela da natureza, conseguimos vislumbrar apenas uma paisagem cinza, desprovida de cores, da luz do sol e do azul do infinito .
Algo revolta- se num último e doloroso grito anunciando a vida que ainda pulsa e se oferece para ser vivida.
Acontece a drástica necessidade de que tomemos uma posição ao nos darmos conta de que, apesar de estarmos estacionados a mercê do sofrimento, a vida, continua! Silenciosa e cheia de surpresas, nos obriga continuar vivendo nos cobrando a todo instante o cumprimento de cada cláusula por ela (a vida) descrita no árduo e pesado fardo da existência, que torna ainda mais incomoda a mochila que carregamos nos nossos dias.
O tempo que arrasta consigo todos nós de alguma forma, nos encurtando a vida, planos, sonhos, esperanças, vai nos ajudando a suportar o peso e diminuindo a sensação de paralisia , obrigando-nos a recomeçar.
. Então, a razão nos leva a tomar consciência de que estamos vivos e devemos continuar, enfrentando uma nova etapa; correr em busca de tudo aquilo que escreveu a história do nosso passado e que seria impossível esquecer.
Retomar as lembranças já não nos assusta tanto. Mantê-las vivas é preciso para que motivem nossa nova caminhada. Aos poucos, o prazer vai estar exatamente em rever as pessoas que nos são caras, os lugares que curtíamos, dando continuidade aos objetivos anteriormente traçados, tentando realizar sonhos que não aconteceram, aplicando o que se aprendeu antes da solidão, ainda que sorrindo de alegria ou chorando, perdidos de saudades.
Será inevitável, vencer o GRANDE DESAFIO de RECOMEÇAR, buscando à nossa volta o que restou de bom, abrindo novas páginas da história de nossas vidas e, em nome do amor que nos preenche a alma de lembranças, CONTINUARMOS vivendo
- “IN MEMORIAN”-
Daquele que partiu, libertando-se desse
MÁGICO E ASSUSTADOR CATIVEIRO TERRENO
Vou tentar!
Por todos...
Por mim.....
Por você.....
Pelo que vivemos juntos!!!!!
Vou encontrar forças para dizer a todos e quem sabe....
A MIM TAMBEM:
quinta-feira, 25 de março de 2010
A VELHA PONTE
E existe quem insiste em dizer que, ter percorrido muitos anos de vida, transforma o ser humano em figura patética, enrugada, frágil, insegura, descartável, solitária...
Ora ,a esse que cantou o “parabéns a você” na casa dos enta e desabou deixando ruírem seus sonhos, esperanças, desejos, cheio de medos, sem forças para olhar pra traz, e relembrar com alegria a história mal ou bem vivida, fazendo do futuro um monstro que aterroriza, dedicaremos vaias pela péssima interpretação da vida na mais bela idade..
Entretanto, àquele que serviu a primeira fatia do bolo para si próprio, cumprimentando –se por ter sobrevivido a uma dezena de anos, bons ou maus, não importando-se com as pernas mais fracas, a voz um tanto rouca, os olhos,embaçados, as rugas desenhadas no rosto,a alma apertada pelas saudades, enfrentado o espelho com dignidade encantado pela imagem que lapidou no transcorrer de uma vida inteira, seguem os aplausos estrondosos pela grande vitória conquistada como o senhor do tempo e da história.
Dias destes, após muita excitação em enfrentar o óbvio, isto é - a vida a ser vivida- resolvi caminhar pelo calçadão do parque linear que, apesar de moderno, colorido, alegre, não conseguiu rsepultar as imagens do passado .
Foi quando me dei conta de que a velha ponte pênsil balançando sobre o Camanducaia, continuava a mesma.
Conservada sim, mas repleta de histórias de tempos que não voltam mais.
Lembrei meu primeiro passeio sobre ela. Mãos agarradas nas mãos fortes do meu pai, senti um medo terrível e uma sensação enorme de vazio, olhando o rio lá em baixo descer calmamente , desafiando meus temores.
Eu era tão pequena... e era tudo tão grande......
Lembro-me de apertar com força as mãos do meu pai e ouvi-lo explicando mansa , suave e orgulhosamente a importância daquela ponte e o quanto era segura.
Claro.. eu pouco entendia, mas sentia que era uma grande vitória poder contar com ela para atravessarmos de um a outro lado da cidade.
Então... imponente e encantada, enfeitiçada pela grandiosidade da obra,atravessei a ponte de nariz empinado, como se quisesse dizer:
-“ Viram????’ na minha cidade tem uma ponte que balança e não cai”....
Enquanto relembrava minha fascinante descoberta cheia de aventura naquele dia misturado a tantas outras lembranças. parei no meio da ponte encaixando-me no presente, de maneira natural, assim como as peças de um jogo dispostas obedientes num tabuleiro, sem pensar na assustadora casa dos “enta”, observando minha imagem nas águas do Camanducaia,
refletida nos tons marrons das águas barrentas, sufocadas pelas transformações do tempo, quando um dia chove, outro venta, faz muito frio... muito calor e ninguem mais está preparado para tamanha instabilidade da natureza . Permaneci assim por alguns minutos que foram o bastante
para permitirem um giro pelo passado, começando na fase criança encantada com o primeiro passeio pela ponte pênsil.Jovem , subindo e descendo a rua 13, graciosa e discreta, caminhando para escola, Colegio das freiras, Coriolano Burgos, etc e nas manhãs ensolaradas de domingo, fazendo “point”no “ Largo da Matriz “ , após a missa das 10, onde o charme era paquerar os jovens da época , cujo fascínio estava na troca de olhares,, num sorriso, numa promessa de amor. Depois, a caminhada à idade adulta, cheia de espectativas, trabalho, romance, casamento,
alcançando o grau sublime de ser mãe e avó
O sol insistia em desenhar figuras na água, espalhando seus raios entre as folhas das árvores.
Paisagem magnífica de hoje, enfeitando as telas de outrora, quando apenas flores comuns, copos de leite, amores perfeitos, antúrios , margaridas., ornamentava canteiros simples de nossa Amparo..
Naquele momento, o tempo havia parado , para que eu pudesse buscar retalhos da minha história de conquistas e perdas irreparáveis ,avivando a memória para tudo que valeu a pena.
Fui feliz???? Demais da conta.tanto que arrastei essa felicidade cheia de garra , de força, sabedoria, para o agora, quando percebi que diante de tantas lembranças seria impossível sentir-me só.
Tantas coisas ainda existem a serem descobertas nessa Amparo de hoje. , coisas que nos encantam ou nos espantam, cantos e recantos a serem explorados, pessoas que precisam, que imploram, outras que se doam ou se omitem...enfim, há tanto a ser feito que a mente e o coração transbordam de emoção diante do privilégio de poder doar-se em prol da luta do dia a dia.
O corpo se enche de forças e se entrega em nome do amor que alimenta a vida.
Escurece!
Os primeiros sinais de noite começam a desenhar figuras no infinito.
Caminho a passos lentos deixando a velha ponte ,com medo de chegar ao fim e a paisagem de hoje , desenhada pelo asfalto salpicado de carros modernos e possantes que deslizam velozes , alucinando com o som de buzinas e o ranger dos pneus, desapareçam com todas essas lembranças
Ora ,a esse que cantou o “parabéns a você” na casa dos enta e desabou deixando ruírem seus sonhos, esperanças, desejos, cheio de medos, sem forças para olhar pra traz, e relembrar com alegria a história mal ou bem vivida, fazendo do futuro um monstro que aterroriza, dedicaremos vaias pela péssima interpretação da vida na mais bela idade..
Entretanto, àquele que serviu a primeira fatia do bolo para si próprio, cumprimentando –se por ter sobrevivido a uma dezena de anos, bons ou maus, não importando-se com as pernas mais fracas, a voz um tanto rouca, os olhos,embaçados, as rugas desenhadas no rosto,a alma apertada pelas saudades, enfrentado o espelho com dignidade encantado pela imagem que lapidou no transcorrer de uma vida inteira, seguem os aplausos estrondosos pela grande vitória conquistada como o senhor do tempo e da história.
Dias destes, após muita excitação em enfrentar o óbvio, isto é - a vida a ser vivida- resolvi caminhar pelo calçadão do parque linear que, apesar de moderno, colorido, alegre, não conseguiu rsepultar as imagens do passado .
Foi quando me dei conta de que a velha ponte pênsil balançando sobre o Camanducaia, continuava a mesma.
Conservada sim, mas repleta de histórias de tempos que não voltam mais.
Lembrei meu primeiro passeio sobre ela. Mãos agarradas nas mãos fortes do meu pai, senti um medo terrível e uma sensação enorme de vazio, olhando o rio lá em baixo descer calmamente , desafiando meus temores.
Eu era tão pequena... e era tudo tão grande......
Lembro-me de apertar com força as mãos do meu pai e ouvi-lo explicando mansa , suave e orgulhosamente a importância daquela ponte e o quanto era segura.
Claro.. eu pouco entendia, mas sentia que era uma grande vitória poder contar com ela para atravessarmos de um a outro lado da cidade.
Então... imponente e encantada, enfeitiçada pela grandiosidade da obra,atravessei a ponte de nariz empinado, como se quisesse dizer:
-“ Viram????’ na minha cidade tem uma ponte que balança e não cai”....
Enquanto relembrava minha fascinante descoberta cheia de aventura naquele dia misturado a tantas outras lembranças. parei no meio da ponte encaixando-me no presente, de maneira natural, assim como as peças de um jogo dispostas obedientes num tabuleiro, sem pensar na assustadora casa dos “enta”, observando minha imagem nas águas do Camanducaia,
refletida nos tons marrons das águas barrentas, sufocadas pelas transformações do tempo, quando um dia chove, outro venta, faz muito frio... muito calor e ninguem mais está preparado para tamanha instabilidade da natureza . Permaneci assim por alguns minutos que foram o bastante
para permitirem um giro pelo passado, começando na fase criança encantada com o primeiro passeio pela ponte pênsil.Jovem , subindo e descendo a rua 13, graciosa e discreta, caminhando para escola, Colegio das freiras, Coriolano Burgos, etc e nas manhãs ensolaradas de domingo, fazendo “point”no “ Largo da Matriz “ , após a missa das 10, onde o charme era paquerar os jovens da época , cujo fascínio estava na troca de olhares,, num sorriso, numa promessa de amor. Depois, a caminhada à idade adulta, cheia de espectativas, trabalho, romance, casamento,
alcançando o grau sublime de ser mãe e avó
O sol insistia em desenhar figuras na água, espalhando seus raios entre as folhas das árvores.
Paisagem magnífica de hoje, enfeitando as telas de outrora, quando apenas flores comuns, copos de leite, amores perfeitos, antúrios , margaridas., ornamentava canteiros simples de nossa Amparo..
Naquele momento, o tempo havia parado , para que eu pudesse buscar retalhos da minha história de conquistas e perdas irreparáveis ,avivando a memória para tudo que valeu a pena.
Fui feliz???? Demais da conta.tanto que arrastei essa felicidade cheia de garra , de força, sabedoria, para o agora, quando percebi que diante de tantas lembranças seria impossível sentir-me só.
Tantas coisas ainda existem a serem descobertas nessa Amparo de hoje. , coisas que nos encantam ou nos espantam, cantos e recantos a serem explorados, pessoas que precisam, que imploram, outras que se doam ou se omitem...enfim, há tanto a ser feito que a mente e o coração transbordam de emoção diante do privilégio de poder doar-se em prol da luta do dia a dia.
O corpo se enche de forças e se entrega em nome do amor que alimenta a vida.
Escurece!
Os primeiros sinais de noite começam a desenhar figuras no infinito.
Caminho a passos lentos deixando a velha ponte ,com medo de chegar ao fim e a paisagem de hoje , desenhada pelo asfalto salpicado de carros modernos e possantes que deslizam velozes , alucinando com o som de buzinas e o ranger dos pneus, desapareçam com todas essas lembranças
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